segunda-feira, 15 de junho de 2009

Evitem Rainhas da Sucata em suas vidas!

Cena contada por uma amiga que ouviu de outra amiga. Foi algo mais ou menos assim:
A desembargadora estava em audiência. Era uma ação de uma empregada contra a patroa. A patroa falava com tranquilidade:

- Eu não sei bem por que ela entrou com uma ação contra mim. Eu achava até que a gente se entendia bem! Só mandei embora por causa de uma coisa. Ela bebia muito refrigerante, sabe? Teve um dia que eu dei um jantar lá em casa. Quando chegaram as visitas e eu fui servir os refrigerantes, e não tinha nenhum na geladeira! Ela tinha tomado tudo!

- E você tem certeza de que foi ela quem bebeu os refrigerantes?

- Absoluta! Ela comia e bebia à vontade na minha casa. Eu não sou de separar nada, tipo de ter comida para a empregada e outra para gente, não sou mesmo. Ela era muito gulosa, isso era. Mas eu não ligava. Só que eu achei uma grande falta de respeito o que aconteceu no dia daquele jantar. Ela já folgava um pouco, mas eu sempre deixava para lá. E no dia do jantar, ela não falou nada, não avisou, ficou só olhando. Viu eu recebendo as visitas. Quando eu fui falar com ela sobre os refrigerantes, ela ainda debochou de mim! Disse que não sabia que era para o jantar, vê se pode? E para que seria, então? Puxa vida, eu dava minhas roupas, as coisas da casa que eu não usava, ou comprava novo, tudo novo para ela, sabe?

A desembargadora ficou um pouco desconfiada. Tinha alguma coisa errada nessa história.
Ouviu a patroa mais um pouco e mandou chamar a empregada. A moça tinha um ar enfesado e confiante. A desembargadora perguntou sobre os salários, férias, décimo terceiro, e queria saber qual era a insatisfação afinal, pois parecia que a moça recebia tudo direitnho.

- Bem, eu ouvi a sua ex-patroa e não me parece ter nada, assim, de errado. Parece até que vocês se entendiam bem. Agora mesmo ela me contou que dava muita coisa para você, tipo roupas, coisas para casa.

A moça ficou mais enfesada ainda.

- Aquelas coisas todas que ela me dava? Aquele monte de roupa e aparelho doméstico da casa dela? Ela falou disso?

- Era um "monte de coisa" mesmo? - desconfiou a desembargadora.

- Era sim! Vesti minhas meninas todinhas com aquelas roupas. Só de liquidificador ela me deu uns três.

- E os liquidificadores funcionavam ou tavam quebrados?

- Ai dela se me desse algo que tava quebrado! Mas era só coisa que ela não queria mais! Eu, hein!? Tenho cara de receber o resto dos outros? Olha pra mim! Eu mereço é mais!

- Mas você levada tudo para sua casa, não levava?

- Claro! E eu sou besta?

- O que você acha?

- Ela pensa que sou o quê? A Rainha da Sucata! Não sou nenhma sucateira não!

A desembargadora controlou sua raiva. Lembrou da sua última doação que fez para a sua empregada. Eram roupas e um liquidificador. Ela respirou fundo e empostou mais a voz.

- Espero que todos aqui prestem bem atenção. Dar nossos pertences, mesmo em ótimo estado para as empregadas, pode ter uma interpretação ruim como esta. Por isso, aconselho a não fazer isto. Nesses casos, não doem aos próximos, doem ao mais afastados. Pelo menos vai se evitar
rancor e que uma pessoa entre na justiça por este motivo. Portanto, evitem "Rainhas da Sucata" na vida de vocês.

Conselho de Desembargadora.

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