sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Quando chega a hora de cuidar dos pais

O Dona Patroa vai mudar o foco sem sair do tema maior que é ser uma empregador doméstica. Hoje em dia, é fato que precisamos estar atentas a não só cuidar da nossa casa, o lar de nossos maridos e filhos, mas também cuidar de nosso pais, principalmente quando estes requerem cuidados especiais não somente pela idade, e/ou por estarem mais frágeis, mas também por alguma doença que castiga a saúde mental ou física. Enfim, quando esta realidade chega e eles não podem estar mais sozinhos.

Não é fácil para a família decidir se cuida de seu idoso em casa, ou se há possibilidade de colocá-lo em um asilo. Prós e contras são listados, orçamentos verificados. É muito difícil quando chega este momento. 


Vou abrir a conversa sobre as mulheres que cuidam de seus idosos em casa, por que acredito que este papo pode ajudar na troca de experiências entre pessoas que passam por esta situação.

A quantidade de cuidados conflita com a rotina de mulheres batalhadoras que, para trabalhar e sustentar os gastos da casa, precisam de pessoas que cuidem de seus pais.São as cuidadoras, que hoje veem sendo muito requisitadas.  

Se existe seleção natural para isto, no gen das empregadoras domésticas está o fator 'administração'. Admistração do tempo, dinheiro, de pessoas. Existem todos os departamentos de uma empresa em uma mulher só, mas um grande e importante detalhe, ela não é pessoa jurídica (um dia espero que os políticos realmente entendam isso).

Para começar a falar de cuidadoras, entrevistei uma grande amiga, de quem sou admiradora. Ela conta um pouco como faz manter o controle de tantas responsabilidades. 

A Angela é publicitária, profissional de turismo e eventos, filha única, solteira, concilia  a vida cheia de compromissos profissionais com a administração da casa. Há anos, ela precisa coordenar as atividades de suas empregadas, que se revezam para dar cobertura total, 24 horas, a seu pai, com mal de Alzeimer, que mora com ela.
 
1. Há quanto tempo você administra cuidadoras para o seu pai?
Desde junho de 2006 , após o falecimento da minha mãe.

2.Como é sua rotina em relação às cuidadoras?
É sempre muito difícil implantar rotinas, elas seguem muito seu próprio “estilo”. Mas recentemente, ao trocar minhas funcionárias, criei uma tabela com tarefas de acordo com o dia da semana, até porque agora os dias de trabalho variam. Antes tinha uma de segunda à sexta + sábados de quinze em quinze e outra para os fins de semanas. Agora estabeleci um plantão 4 x 4 dias (elas dormem aqui).
 
3. Como é a questão dos horários das empregada durante a semana?
As duas dormem aqui.  Por exemplo, uma chega às 9:30h da segunda e sai quando a outra chega na sexta, essa que entra na sexta, sai no mesmo horário que entrou (normalmente entre 9:00 e 9:30h) na terça e assim, vai seguindo.

4. Como você distribui e delega as tarefas para elas? Há alguma diferença?
Atualmente as tarefas são as mesmas, mas sempre procuro aproveitar o que elas fazem melhor e com mais prazer. Uma gosta de costurar, então se preciso de um ponto numa blusa peço a ela, a outra faz feijão mais gostosos, então peço que deixe um pouco mais de feijão pronto.

5. O que você mais procura quando vai entrevistar alguém para trabalhar na sua casa? O que considera mais importante?
Após esse tempo e com tantas trocas ocorridas, não acredito em pré-requisitos estabelecidos. Deixo bem claro que o mais importante é cuidar do meu pai, em seguida do meu cachorrinho yorkshire(sim, tem que gostar de cachorro) e depois da casa. Como moro aqui, o resto é observação. Vou sentido o jeito delas, dou incertas para ver como estão indo as coisas em casa, se estão dando os remédios certos na hora certa, se estão dando comida para ele e tenho também uma vizinha, amiga que tem a chave da minha casa e entra a qualquer hora, esse é um apoio importante.
Especialmente no início, procuro estar perto na hora que vão trocar a fralda geriátrica do meu pai ou dar banho nele. Observo a forma como tratam ele . Quanto à referências, já soube de casos de empregadas que atendiam o telefone da casa como se fossem patroas para dar referências à colegas, portanto...

 6. Qual é o principal conselho que você daria a pessoas que procuram alguém para trabalhar em casa e cuidar de idosos ou pessoas que precisam de cuidados especiais?
Buscar, de preferência pessoas conhecidas, que já tenham trabalhado na casa de alguém naquela função, indicadas por outras e que demonstrem que precisam trabalhar. Mas sinceramente, é preciso estar sempre atenta, até com funcionários mais antigos, porque no início pedem desesperados o emprego e depois de algum tempo, o cordeiro vira lobo (ou loba). O idoso é como se fosse uma criança e precisa que sua família tome conta dele. O principal conselho é: Fique de olho, em tudo, sempre!
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